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12 de Junho de 2008...

 

3 de Maio de 2008...

"Após a divulgação do ranking de 1 de Maio por parte da BWF (Badminton World Federation), em que eu consto como primeira portuguesa, e como tal qualificada para os Jogos Olímpicos de Pequim, continuo à espera da desenrolar da situação. Tenho a certeza que a BWF como organismo principal do nosso desporto irá ter uma posição isenta e justa em relação ao assunto. Continuarei a aguardar próximos desenvolvimentos desta situação."


Filipa Lamy



29 de Abril de 2008...

O meu sonho olímpico acabou… chegamos a Maio de 2008, a data tão esperada do final da qualificação, e tal como esperado Portugal qualificou 2 jogadores, um feminino outro masculino. Eu, infelizmente, fiquei a cerca de 200 pontos do meu objectivo. Consegui somar 19339, enquanto a Ana Moura somou 19544. Dei o meu máximo em todos os jogos que joguei, em todos os treinos que fiz, umas vezes melhores que outras, mas sempre com a consciência que dei o meu máximo. Viajei muito, fui a sítios que nunca imaginei, conheci muita gente, aprendi muita coisa, vi coisas fantásticas e outras muito tristes… cresci muito! Foi muito bom, só faltou a cereja no topo do bolo! Resta-me dar os Parabéns à Ana Moura por ter conseguido a qualificação e à Telma Santos por ter lutado com todas as suas forças! Quero vos agradecer por termos conseguido mostrar que não somos apenas as “portuguesas”, mas que temos valor além fronteiras, com muitas vitórias e boas exibições! Quero também felicitar os vossos treinadores Ricardo Fernandes e Luís Carvalho pelo excelente trabalho ao longo deste nosso percurso. Ao Alexandre Paixão uma palavra de força pela luta! Marco Vasconcelos… a ti só me resta dar-te os Parabéns… pela 3ª vez! És um grande exemplo de esforço e dedicação! David, bom trabalho… mais uns Olímpicos! Vocês têm um lugar de destaque na nossa modalidade, e nada pode mudar isso! Muitos Parabéns!

Agora fazendo um balanço…

O nosso projecto para a qualificação olímpica começou em Setembro de 2006, e em poucos meses consegui ser a melhor portuguesa no ranking mundial, posto que não perdi até à penúltima semana de qualificação. Muitos aviões, muitos treinos, muitas vitórias e outras tantas derrotas, lágrimas de alegria, de desilusão e de saudade, muitos amigos e muitas aventuras. Muita coisa se passou entre Dezembro de 2006 e Abril de 2008, mas eu consegui sempre ser a primeira portuguesa no ranking mundial. Mas no início de Abril, após um grande resultado que consegui na Polónia, após bater duas jogadoras já minha conhecidas, e a quem nunca tinha conseguido ganhar, a canadiana Charmeine Reid (normalmente no TOP 50 Mundial) e a russa Ekatrina Ananina (já nos tínhamos defrontado algumas vezes, e na maioria das vezes em encontros muito equilibrados) consegui atingir os quartos de final da competição. Consegui pontos valiosos para o meu ranking. No Índia Grand Prix Gold (torneio de nível Gran Prix Gold, acima destes só os Super Series, os mais fortes do mundo), defrontei uma jogadora malaia, jovem mas de qualidade, que me ganhou por 2-0 num jogo equilibrado. As coisas tomaram um novo rumo quando Ana Moura defrontou Shao-Chieh Cheng , número 15 mundial, tendo a vitória caído para a portuguesa num jogo em que a chinesa não se apresentou a jogar a 100%. Deste modo, Ana Moura que tinha 17693 pontos no seu ranking mundial, poderia somar cerca de 1500 pontos (apesar de ganhar 2720, é preciso subtrair o mais baixo dos resultados que constavam no seu ranking), o que diminuiu a distância que a separava de mim; passou de cerca de 1600 para pouco mais de 100 pontos, e ficando também a cerca de 500 pontos à frente da Telma Santos (que se encontrava a cerca de 1000 pontos de distância da Ana antes deste torneio). Passado pouco mais de uma semana, no torneio da Nigéria, fui derrotada na meia-final por a melhor nigeriana, que está um centro de treino da BWF (Badminton World Federation) em Saarbruken, na Alemanha. Neste torneio a Ana Moura atingiu a mesma ronda que eu, ultrapassando-me no ranking mundial, pois apesar de ter feito os mesmos pontos que eu, tinha piores resultados no seu ranking para substituir, tendo por isso ultrapassando-me em cerca de 200 pontos. Isto fazia com que eu tivesse que atingir os quartos de final no Velo Dutch, caso a Ana não passasse da 2ª ronda. Antes de começar o meu torneio, já sabia que ela tinha perdido no primeiro jogo, por isso sabia que para estar presente em Pequim, teria que passar duas rondas, o que se avizinhava difícil, pois tinha pela frente na 1ªronda a japonesa Eriko Hirose, nº15 mundial. A sorte desta vez bateu-me a mim à porta, mas não foi suficiente, na ronda seguinte não consegui passar a jovem holandesa Patty Stolzenbach. Entrei no jogo com poucos nervos, algo não muito normal, tendo em conta do que estava em jogo. Os nervos foram aumentando com o passar do jogo, e aos 19-19 do primeiro set, um volante fora no meu campo, que o árbitro marcou dentro, depois de uma reacção da holandesa que mostrava que tinha visto fora. Foi a gota que fez transbordar o copo… a partir daí, deixei de conseguir controlar os nervos de maneira a me deixar jogar como sei que posso jogar… Perdi o 2º set porque já não jogava com a cabeça, mas sim com o coração. Confesso que senti muita, muita injustiça… senti injustiça por ter “perdido” esta qualificação por um jogo de um resultado pouco normal… mas o desporto é mesmo assim. Eu chego ao final com a sensação de dever cumprido e de cabeça erguida. Sinto que teria sido justo se tivesse sido eu a qualificada… lutei com todas as minhas forças dentro do campo, ganhei muitos bons jogos e fiz outras tantas boas exibições contra jogadoras de top e, quando assim é só nos resta ter orgulho! A sorte bateu à porta da Ana Moura e só me resta desejar-lhe boa sorte para Pequim e esperar que ela nos represente, demonstrando o nível que nos caracterizou durante esta qualificação!

A todos os que acreditaram em nós e que de alguma forma nos apoiaram, MUITO OBRIGADA!

Este meu percurso não tinha sido possível se eu não tivesse tido muito apoio. Tenho muitas pessoas para agradecer, por isso cá vai:

- Em primeiro lugar ao Daniel, que foi tudo! Foste treinador, amigo, gestor, procuraste patrocínios, viagens, arranjaste estágios e trouxeste atletas estrangeiros para me ajudar a preparar melhor! Fizeste tudo para que tudo corresse na perfeição, de maneira com que eu não tivesse de me preocupar com mais nada senão os jogos e treinos! Não te importaste de deixaras tuas coisas para fazer as minhas! Aguentaste sempre o barco e foste grande pilar de tudo, lutaste para que tudo pudesse ser possível e nunca me deixaste baixar os braços, até ao último ponto do último jogo na Holanda, deste-me a força para continuar a lutar! Nada tinha sido possível sem ti, OBRIGADA!

- Ao Rui Raposo, sempre tão empenhado e lutador! Obrigada por tudo… foste muito importante neste nosso percurso. Obrigada pela tua paciência e perseverança! És um exemplo de força e dedicação! 

- Mãe, Pai e Paula, não existem palavras que possam descrever tudo o que fizeram para me ajudarem a alcançar o meu sonho… nunca vou poder retribuir todo o vosso esforço e apoio! Deram-me sempre força, festejaram vitórias e sofreram comigo nas derrotas e tiveram sempre lá, comigo, onde eu estava! Obrigada! Carla, Beto, André e Bia obrigada por torcerem sempre por mim! Obrigada… 1000 vezes OBRIGADA!

- Ao meu clube, Clube Badminton Soderin Rinconada, pela gestão de jogadores que fez, e que me deixou com a possibilidade de poder competir internacionalmente mais do que a maioria dos clubes iria permitir. Gracias por tudo! A todos mis companheros de club Laura Molina, Bing, Carlos, Capitan Fali (Rafael), Ruben, Juanillo, Alejandro, Quiles, Laura Falces, Carlos Aragon, Javier Torrado muchas gracias por todas sus palavras de incentivo! Wakin e Dani e a todos os outros deste grand Club Badminton Soderin Rinconada! Muchas gracias!

- Aos meus companheiros de treino, inicialmente Gonçalo e Pedro, e agora neste último ano Vânia, Jorge e Daniela! Muito obrigada!

- À Federação Portuguesa de Badminton. Ao director António José Mendes por toda a sua disponibilidade ao Selecionador Nacional Jacob Heinsing e ao Treinador Adjunto Jorge Pitarma, pelo apoio nas competições e estágios em que estiveram presentes.

- Ao Sr. José Almeida da JMA Badminton Sport, o primeiro patrocinador do nosso projecto, que acreditou desde o início no nosso valor.

- Ao Daniel Manco, ao Miguel Soares, ao Luís Calheiros e ao Prof. José Almeida e ao restante pessoal do Pavilhão 1 do Estádio Universitário de Lisboa, que tudo fizeram desde o início para que pudéssemos treinar o melhor possível.

- À Babolat e ao Nicolas Sene.

- À GoldNutrition, nas pessoas do Dr. Custódio César e do Vitor Gamito.

- À Dra. Florbela Mendes pela sua disponibilidade e atenção.

- À Junta de Freguesia da Lourinhã.

- À Tangente de Pi e à Sem Mais, pelo desenvolvimento do meu novo site. Obrigada Nelson pelo teu esforço e Parabéns por todos os prémios que ganhaste com este teu trabalho!

- Às empresas: Hartcasa, Avibom, Supervit, Gráfica do Tortosendo, Mário Jorge Filipe, Farmácia Quintans, TIMEX e Trisport Ibérica.

- Ao Sr. José Manuel Custódio, Presidente da Câmara da Lourinhã, pelo esforço que fez na tentativa de me apoiar.

- Aos Fisioterapeutas Miguel Lourenço e Diogo Prates, o meu patrão e o meu colega que sempre me substituíram quando estive fora.

- À D. Rosa e à D. Luísa da Best Travel de Odivelas.

- Aos Nero, João, Cristina, Inês e Tomás pela força inicial! Muito obrigada!

- À Francys Pereira (agora Francys Pereira de Góis!)… sempre connosco!

- À Flávia Calçada, ao Paulo Ribeiro, ao José Santos, à Sofia Cardoso, à Rosário Cipriano e a todos os outros jornalistas que com isenção divulgaram o nosso projecto olímpico. Muito obrigada por toda a vossa atenção!

- Ao Henrique Marcelo do Marvel Gym por todo apoio e confiança.

- Ao Claúdio Gonçalves por todo o teu apoio e amizade. Os verdadeiros amigos estão sempre connosco!

- Aos treinadores Gregory Verpoorten, Rainer Dielh, Morten Frost, António Molina, Ruben Gordon e Fernando Rivas.

- À Federação de Badminton de Macau por me ter recebido tão bem e me ter proporcionado treinos antes do Macau Open GP Gold.

- Aos amigos do Belmar; à Família Rodrigues (Lília, Lourenço, Celinha, Renato, Mário…); à Taizia, à Inês, ao Ricardo; aos meus vizinhos Jau, Licas, Rafael, Samuel, Francisco e Margarida; aos colegas da minha mana, o pessoal das Finanças do Bombarral; e a todas as pessoas que nos apoiaram e torceram por nós. Obrigada por acreditarem no nosso valor!

- Aos meus tios, tias, primos e primas da Lourinhã e do Algarve!

- Ao Sr. Hernâni Santos e ao Dr. Nuno Sampaio por acreditarem no nosso projecto desde o primeiro momento.

- Ao Marco e ao David, por serem sempre imparciais!

- À Sarinha e à Sofia… obrigada pelas vossas mensagens de apoio. ;)

- Ao Luís Durando por ter sempre uma palavra amiga!

- Ao pessoal do Clube de Badminton de Évora por acompanharem e divulgarem o nosso projecto.

- Ao Prof. Luís Quinaz obrigado pela sua colaboração

- Ao Jorge Nogueira

- A special thanks to Anne Hald Jensen and her parents for all the support… in Denmark and afterwards! You are all in my heart!

- To Anu Nieminen… for being there!

- To Aravind Bhat (Índia) a big thank you!

- To the Sri Lanka Team… my friends until the end!

- To Kay Bin Yeoh, a teammate, great player and big friend that always gives me good advice!

Durante este nosso percurso tivemos muito apoio, muitas palavras de incentivo, por isso, peço desde já desculpa por todos aqueles que não mencionei nos meus agradecimentos.

Bem hajam!


Filipa Lamy